Nem Lé, Nem Cré!





Ausentei-me por um tempo, primeiro porque não estava com clima, tampouco disposição para escrever e segundo por motivos técnicos. Hoje venho aqui na missão de partilhar com vocês algumas indignações.
Primeiro quero partilhar a idignação sobre a cara de pau das pessoas. Quanto mais você trata bem, mais você é tratado em escanteio, não, não quero usar palavras de campo semântico referente a futebol, até mesmo porque desisti de torcer para meu time - que tem a necessidade de sempre perder para o Flamengo, pior, fazendo gol contra- e essa é uma outra indignação minha. Sim, acho que vou virar casaca -mas é melhor abstrair-, se é que ainda vale a pena torcer para algo ou alguém.

Estou cansada desse papo efêmero, de relações efêmeras e proveitosas, não no sentido harmônico, mas no sentido de tirar proveito MESMO, relações que sugam e em nada acrescentam. Sabe, eu por um momento achei que algo poderia ser diferente, entretanto acabo por perceber que é sempre a mesma coisa, as relações não mudam e não há óptica em que se enxergue perspectiva de mudança e ainda me dizem que o Estado de Natureza em Hobbes é distante dos dias atuais, valha-me Deuses ao cego que disser isso.
A cada dia que passa somos mais egoístas, somos mais individualistas. De que valeu a teoria trazia por Durkheim e Weber que diziam, cada qual ao seu postulado, que a solidariedade era o edificador da coesão social se hoje nos vemos seres vis, sem nada a doar e sem nenhuma perspectiva de receber?

Digam-me de que adianta eu expor o meu texto desconexo se os comentários que virão serão, nossa como você escreve bem -não, não estou sendo presunçosa-, ou nossa que bonito o que você escreveu, quando na verdade as minhas mal traçadas linhas em nada resolverá o problema do
"CON-VIVER" -como bem separou Drummond-.
O que houve ao longo do tempo foi a desagregação de valores humanísticos tão preciosos, foi a competitividade se instalando não só na vida profissional, como também inferindo na vida pessoal, inerindo nas relações interpessoais.
Não me conformo como as pessoas para viverem o que aparecem "de novo" tenham que abdicar do que fôra vivido outrora, tenham que pisar naqueles que em algum momento os ajudaram. Não me conformo que as pessoas criem à sua frente muralhas intransponíveis e delas façam seu refúgio, seu abrigo no afã de se proteger do que? De si mesmos, o mais triste é isso, a proteção de si mesmo. Assim nos apercebemos a total calamidade em que se encontra os valores, os princípios, tudo aquilo que nos constitui ao longo do tempo. As pessoas possuem agora não medo de outrem, mas medo de si. Pior ainda são os que se fecham na mediocridade de suas verdades absolutas, sem se atentar que nada é constituido de uma única verdade, mas sim de várias pequenas frações verdadeiras que chegam a totalidade. Não existe verdade, existem pontos de vista sobre um fato e não adianta discutir tentando achar resposta, adianta refletir e concordar e discordar de pontos. A todo instante estamos sendo mais alienados, e existe todo um sistema por trás que dá subsídios para que continue engessado como está e a tendência é piorar, afinal não nos atentamos para o que está a menos de um palmo de distância de nossos narizes. Os veículos da imprensa que deveriam desalienar são os que mais fazem a antagonia -vide uma reportagem, dentre várias, da revista veja que depois farei a exposição aqui-.
Revolta-me também a frieza que a globalização trouxe para as nossas vidas, hoje as relações são através de frias telas, de barulhos de teclas; As pesquisas não possuem o mesmo afinco pois entramos no google e tudo o que queremos encontramos, não, de um todo não é ruim, entretanto tudo que é exagerado é doente também. Nem ausência, nem exacerbação, tudo há uma medida ideal, uma fração ideal.

Não serei hipocrita ao ponto de dizer que não desfruto das maravilhas da modernidade, da globalização, sim, desfruto e gosto muito por sinal, se não fosse a internet eu não teria esse espaço para explicitar meu pensamento contido, mas acho um absurdo tudo agora ser virtual, e o calor humano e o tato, a cor, o cheio, o paladar, aonde foram parar?

Qualquer dia vão nos fazer comer peças -e o pior, todo mundo vai achar normal-, porque hoje pai engravidar filho virou moda!

Sabe, essa idéia de postar partiu de algumas percepções que tive ao longo do dia e que gostaria de partilhar. Desculpem a aleatoriedade do pensamento, entretanto muita organização corta a inspiração.

Drummond agora fala por mim:
"o homem,descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas a perene, insuspeitada alegria de con-viver"

Quem disse que era fácil?


Gessinger agora fala por mim: "Se fosse fácil achar o caminho das pedras tantas pedras no caminho não seria ruim" Existe como se fazer diferente, basta se querer.

Deixem de ser reacionários, levantem a bunda da cadeira, se não conseguem fazer por todos, pelo menos façam por si: Desliguem a T.V e vão ler um livro.


Sendo melhor consigo, conseguirão ser melhores com o mundo que os cerca, porque primeiro temos que alterar, reinventar nosso "infinito particular", para depois propagarmos a mudança.


Abraços a todos.

Sem mais delongas, isso já ficou prolixo o suficiente.

Espero que 10% sirva.

Boa noite.

Ana B. Santos

terça-feira, 21 de outubro de 2008

5 Comments:

Pri said...

Incrível como o pensamento se propaga entre mentes conectadas.

Vamos lá... Uma parte desse post acabou surgindo de uma conversa que estávamos tendo sobre sebos virtuais.
Passei um sábado inteiro rodando o Centro do Rio de Janeiro de sebo em sebo (foram quase uns 20) atrás de alguns livros e sabe o que eu sempre escutava? "Tínhamos esse livro, mas foi vendido pela estante virtual". Como assim? Alguém está confortavelmente em sua casa, na frente de um pc e compra o livro que eu estou catando em meio a traças, poeiras e ácaros? Que injusiça. E que perda de valor. Sim, porque cheirinho de livro é uma delícia (mesmo o livro velho e amarelado), poder folhear o livro que se quer comprar é um prazer e a cultura de você entrar em um sebo, passar horas catando entre estantes desorganizadas e achar aquela pechincha que deveria custar uma fortuna por ser rara. E isso está sendo perdido. Porque eu precisei sentar meu rabo um dia inteiro na frente de um pc para achar os livros que queria em estantes virtuais. Triste isso...

E Biblioteca Nacional? Um lugar lindo, que agora você acessa pela internet. Porra! Não posso entrar lá e ver um livro, pegar um jornal velho cheia de luvas, cuidados e desejo, porque agora é tudo "microfilmado". Isso quando podemos ver o microfilme, porque usando bem o google, a wikipédia, temos tudo on line. Que tédio!

Sei lá, sou historiadora quase formada, trabalhar com velharias é o que escolhi pro meu futuro. hehehehe... Ver tudo tão modernizado fazem certas coisas perderem o sentido, sabe?

Claro, modernidade ajuda em muitas coisas e sou muito grata e tudo que tenho conseguido graças a internet, mas sinto falta de contato, de ter medo de contrair uma infecção por mexer com livros velhos. Hahahaha...

Para finalizar e explicar o porque da minha primeira frase nesse comentário que virou quase um post, no mesmo momento em que minha caríssima cabeça da direita escrevia isso, eu recebia a seguinte mensagem no msn (modernidade, eu sei) em desespero por tantas horas de pesquisa hoje e na esperança de conseguir escrever o raio da minha monografia:

Pri - Voltando ao mundo dos mortos. *Historiando* - GABEIRA - 43!!!!!!!! diz:
Ok. Vai dar tudo certo, né?!

Gui diz:
Vai amor.

Gui diz:
"Se fosse fácil achar o caminho das pedras, tentas pedras no caminho não seria ruim..."

Pri - Voltando ao mundo dos mortos. *Historiando* - GABEIRA - 43!!!!!!!! diz:
Então tá

Pois é. Mesmo num mundo superficial e insensível ao toque, algumas coisas podem ser verdadeiras. Hehehehe...

Beijos para minhas cabeças e para todos.

Pri said...

Aliás, você escreve bem. Hahahaha... Não poderia deixar isso passar! E adoro a palavra "prolixo". Huahauaahauahu...

Bem vinda de volta, cabeça.

Beijos

Ana "Bia" Santos said...

Total transmissão de pensamento entre eu e o Guilherme!

=)

Obrigada por vocês partilharem do calor que ainda existe comigo, minhas cabeças!

- Luli Facciolla - said...

Eita!
Demora, mas escreve muito bem!

Beijos cabeças!

Anônimo said...

"Cada um no seu quadrado". Pode não parecer, mas pra mim...esse hit, faz por mais simples que seja...faz muito sentido.

E o que é sentido se não o nosso sentimento acerca do que vemos? Primeiro, olhar pra si e depois para o outro. O único problema: Alguns olham pra dentro e não se reconhecem. Então, como olhar adiante?

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